Motores · 1.2 PureTech
1.2 PureTech: o que verificar antes de comprar
O 1.2 PureTech é dos motores a gasolina mais comuns no mercado português de usados. Está em Peugeot 208, 2008, 308, 3008 e 5008, em Citroën C3, C4, C5 Aircross e Berlingo, em Opel Corsa, Mokka, Crossland e Grandland, nos DS 3, DS 4 e DS 7, e ainda no Toyota Proace City (lista completa por marca e modelo).
Também é o motor com o problema mais documentado da última década em Portugal. Não é um boato de fórum: a própria Stellantis assumiu-o publicamente e criou um programa de indemnização.
O problema, em duas frases
Este motor usa uma correia de distribuição banhada a óleo — a correia trabalha submersa no óleo do motor, uma solução escolhida para reduzir atrito e consumo. Com o tempo, a borracha degrada-se, liberta partículas que contaminam o óleo e essas partículas podem entupir a bomba de óleo; a partir daí a pressão de lubrificação cai e o estrago passa do turbo ao motor inteiro.
A Stellantis descreve os dois sintomas exatamente assim: "consumo excessivo de óleo e/ou degradação prematura da correia de distribuição" (comunicado oficial, 16 de maio de 2025).
Que anos são de risco
O período mais citado nas fontes portuguesas é abril de 2014 a junho de 2022, nas versões 1.0 e 1.2 com códigos EB0, EB2DT e EB2ADTS (Razão Automóvel).
A partir de 2023 a Stellantis passou a produzir uma geração revista do 1.2 EB, já com corrente de distribuição em vez de correia, e em setembro de 2024 abandonou a designação comercial "PureTech" (Auto.pt).
Traduzindo para quem está a olhar para um anúncio: um carro matriculado até meados de 2022 tem quase de certeza a correia banhada a óleo. Um de 2023 em diante já deverá ter corrente — mas confirme pelo VIN, porque a mudança não foi simultânea em todos os modelos.
Isto não quer dizer que todos os carros deste período estejam avariados. Quer dizer que, nestes anos, o histórico de manutenção deixa de ser um detalhe e passa a ser o que separa um bom negócio de uma fatura de milhares de euros.
O que a Stellantis cobre
O programa anunciado a 16 de maio de 2025 abrange Citroën, DS, Opel/Vauxhall e Peugeot, e prevê:
- Cobertura de 100% dos custos até 10 anos ou 180.000 km, para intervenções ligadas ao consumo excessivo de óleo e/ou à degradação prematura da correia. (Uma garantia alargada anterior, de abril de 2024, falava em 10 anos ou 175.000 km — Razão Automóvel.)
- Reembolso de reparações já pagas entre 1 de janeiro de 2022 e 31 de dezembro de 2024.
- Condições: o plano de manutenção do fabricante tem de ter sido cumprido, os serviços feitos por profissionais, e o diagnóstico e a reparação feitos pela rede autorizada.
- Os pedidos são submetidos em stellantis-support.com, acessível pelos sites das marcas.
Repare na condição que mais casos elimina: manutenção comprovada. Um carro sem faturas é um carro fora do programa.
O que pedir ao vendedor
- 1. O VIN, antes de se deslocar. Com ele consegue verificar no site da marca se há campanhas técnicas pendentes para aquela viatura em concreto.
- 2. O histórico completo, não o carimbo do livrete: datas, quilometragem, tipo de óleo e onde foi feito. Se a correia já foi substituída, quer a fatura.
- 3. Uma inspeção à correia. Um mecânico consegue observar o estado da correia pelo bocal de enchimento do óleo e procurar fissuras, inchaço ou perda de largura (Razão Automóvel, guia de compra do 2008).
- 4. Sinais de consumo de óleo: nível baixo, fumo azulado ao acelerar, adição de óleo entre revisões descrita como "normal" pelo vendedor. Não é normal.
Quanto custa, se tiver de pagar do bolso
A substituição da correia em concessionário situa-se entre 800 € e 1.200 €; em oficina independente, entre 400 € e 900 €. O intervalo recomendado passou para 100.000 km ou seis anos, com substituição preventiva sugerida aos 60.000–80.000 km se houver sinais de desgaste (Razão Automóvel).
Quando o problema já passou da correia e chegou ao motor, os valores mudam de escala: há relatos de reparações até cerca de 7.000 € quando é preciso substituir o motor ou o sistema de distribuição completo (Auto.pt).
Existe ainda um kit independente de conversão para corrente (Pro Chain), compatível com EB0, EB2, EB2DT, EB2ADTS e EB2ADTX. As primeiras entregas estão anunciadas para a segunda metade de 2026 e o preço ainda não foi divulgado (Razão Automóvel).
Vale a pena comprar um?
Sim, com condições. Um 1.2 PureTech dentro dos 10 anos / 180.000 km, com manutenção documentada na rede da marca e com a correia já substituída com fatura, é um carro utilizável e normalmente mais barato do que a concorrência — precisamente por causa da má fama.
O que não compensa é um exemplar sem histórico, ou já fora dos limites do programa. Aí o risco é integralmente seu, e a diferença de preço raramente cobre uma reparação de motor.
Verifique o carro que está a ver
Cole o link do anúncio e o SnapDrivin diz-lhe o que se sabe daquele motor em concreto, com o ano, a potência e o combustível do anúncio — e se o preço faz sentido face ao mercado.
Analisar um anúncio →Fontes: Stellantis Media (PT) · Razão Automóvel — o problema · Razão Automóvel — modelos afetados · Razão Automóvel — guia de compra 2008 · Razão Automóvel — kit corrente · Auto.pt
Última atualização: 9 de setembro de 2026. Este artigo reúne informação pública e não substitui uma inspeção presencial por um mecânico.